Por Stefano Bridelli
O mais importante fórum global sobre mudanças climáticas acontece neste ano no Brasil, em um momento no qual executivos de todas as indústrias reconhecem que apenas a ação coordenada entre governos e empresas vai promover a transição para uma economia sustentável.
A COP 30 ocorre em um cenário de debates climáticos complexos e se apresenta como um espaço não apenas de compromissos, mas de cobranças. As companhias deixaram de ser coadjuvantes na agenda climática e, para os executivos, não basta que estejam presentes no fórum – é preciso demonstrar esforços e ideias para um impacto positivo real no meio ambiente.
Temos vivenciado a crescente demanda da sociedade para que as organizações assumam um papel ativo na redução de emissões, na transição energética e na preservação de recursos. Para as empresas, isso significa ir além da conformidade regulatória e colocar a sustentabilidade no centro de sua estratégia de negócios.
Porém, investir em uma agenda ESG efetiva exige investimento. Nesse sentido, é muito comum as companhias interpretarem essa pauta como um custo, quando, na verdade, ela deveria ser encarada como uma oportunidade de inovação e criação de valor.
Ao empregar recursos em soluções e tecnologias sustentáveis, as organizações contribuem para acelerar o processo de descarbonização e ganham resiliência diante dos eventos climáticos extremos. A transformação para uma economia circular, por exemplo, é uma forma de adaptar modelos de negócios para que enfrentem as limitações causadas por escassez de recursos e interrupções globais.
A circularidade oferece um caminho para aumentar a adaptabilidade, acessar novos mercados e mitigar danos ambientais. Com o uso de matérias-primas circulares, extensão da vida útil dos produtos e compartilhamento de capacidade é possível ampliar a receita, conquistar maior eficiência de custos e sustentabilidade, vantagens competitivas essenciais em um ambiente de negócios cada vez mais exigente.
Outra alternativa é buscar parcerias público-privadas. Nenhuma empresa tem o poder de mudar o sistema sozinha – a transição para um modelo sustentável exige escala, e isso só é alcançado por meio da colaboração entre setores. Nesse formato, os governos podem criar incentivos e regulamentações, as companhias contribuem com inovação e capacidade operacional, ao passo que ONGs e instituições acadêmicas oferecem conhecimento técnico. Assim, juntos, conseguem promover soluções que equilibram viabilidade econômica e preservação de recursos naturais.
Em complemento, é preciso lembrar que nenhuma dessas iniciativas gera os resultados necessários se não houver credibilidade e mensuração. Sem dados confiáveis, o risco de greenwashing compromete a confiança do mercado e a legitimidade das ações. A governança é a base para que compromissos ambientais e sociais sejam traduzidos em decisões estratégicas e resultados concretos. Por isso, é essencial que conselhos de administração e lideranças executivas tenham metas claras, mecanismos de prestação de contas e incentivos alinhados à transição sustentável. Relatórios detalhados, auditorias independentes e indicadores padronizados também são essenciais para mensurar impacto e garantir que os compromissos se traduzam em mudanças reais.
A verdade é que a COP 30 será um ambiente estratégico para as organizações que desejam liderar a mudança. A chave para isso está na cooperação entre companhias, governos e sociedade civil. Os líderes que se engajarem nesse debate terão oportunidades concretas para fortalecer suas empresas e setores. A COP 30 é um chamado para agir com inovação, colaboração e transparência – uma oportunidade única para moldar padrões e contribuir para um desenvolvimento sustentável que seja viável economicamente.
Saiba mais sobre a atuação da Bain na COP 30.
*Stefano Bridelli é sócio fundador e Chairman da Bain para América do Sul.